Critíca, Terror

Brinquedo Assassino (Tom Holland, 1988)

Partindo de um roteiro super previsível, oceano de clichês, e sustos que hoje em dia se tornou motivo de risos, Brinquedo Assassino, revela um dos personagens mais famosos dos filmes de terror. É quase impossível encontrar alguém que nunca ouviu falar de chucky ou do “filme do Chucky”. O Filme ganhou fama e Chucky se tornou um ícone entre os assassinos dos filmes de terror no final da década de 80 e no início da década de 90, o que ocasionou também, filmes sucessores criando uma espécie de série.

Hoje em dia fica a pergunta de com um filme com este pode ter obtido tamanho sucesso entre o público. A verdade é que naquela época assistir um filme no qual o personagem principal é um boneco assassino, era uma novidade e tanto. E nos dias de hoje, infelizmente (ou felizmente) o filme acabou se tornando uma comédia involuntária, por causa do esgotamento e da bizarrice que encontramos nos filmes de terror lançados ultimamente. Depois de tantos Jogos Mortais, A Casa de Cera, filmes de canibalismo como Viagem Maldita e Pânico na Floresta,, quem é que sentirá medo do inocente filme do Chucky?

O fato de ter alcançado fãs, conquistar o público e obter tamanha fama, não encobre os problemas evidentes do filme que é fraco como cinema, por vezes irritante e um projeto totalmente amador. A direção de Tom Holland, que dirigiu outro filme famoso de horror, A Hora do Espanto, é consequentemente o que conduz o filme a fragilidade. Na cena em que Chucky faz sua primeira vítima, por exemplo, percebe-se o modo convencional de criar um suspense. A câmera vai seguindo os movimentos do boneco até a vítima (sem o mostrar). Sabemos que é o boneco que está se movendo, sabemos que ele está atrás da cortina e obviamente sabemos que a mulher morrerá. A tentativa de criar uma atmofera de suspense é anulada pela tamanha previsibilidade e o suspense bobo e desnecessário (com direito a trilha macabra). Constrangedor.

Pra não passar despercebido, toda essa revolta e chacinas promovida por Chucky tem um motivo. Charles Lee Ray (Chucky ainda humano) está fugindo de um policial e se abriga dentro de uma loja de brinquedos, e quando está prestes a morrer se depara com um boneco e recita um ritual de magia negra e transfere sua alma ao brinquedo, que logo é dado de presente ao menino Andy. Para reverter a magia, ele precisa da alma da primeira pessoa que o viu com um “boneco vivo”, ou seja, o menino. Nessa trajetória toda, clichês é o que não vai faltar. Ninguém acredita no menino, o boneco briga e mata feito um brutamonte, com 15 minutos de filme já se imagina o final, enfim, felizmente a tortura dura apenas 89 minutos.

Apesar de tudo, bons tempos eram aqueles em que o filme era exibido nas noites da Tela Quente, que hoje substituiu clássicos incríveis por filmes mais comerciais da nova era cinematográfica. Mesmo com os problemas citados anteriormente, o filme merece ser visto, comentado e conhecido como um pequeno clássico que marcou época, ainda que não esteja na lista dos melhores.

NOTA::.. 6/10

Comédias, Critíca

Gente Grande (Dennis Dugan, 2010)

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Seria um pouco melhor se fosse levado mais a sério. No mais, é um filme divertidíssimo, daquele pra se ver com todos os amigos reunidos.

Reunindo não apenas amigos fictícios, o novo filme de Dennis Dugan, reúne também amigos na vida real. Embalados pelo sucesso de Eu os Declaro Marido e… Larry!, e o terrível Zohan – O Agente Bom de Corte, Kevin James, Adam Sandler, Rob Schneider e Chris Rock se juntam novamente, num filme que mais parece uma comédia coletiva. e desta vez o diretor recebe novamente a ajuda de Adam Sandler na realização do roteiro. Sendo assim, o espectador deve ficar ciente de que não irá encontrar nenhuma genialidade nas piadas e até mesmo na história em si. O fato é que, os filmes de Dennis Dugan sempre apresentam as mesmas fórmulas, seja nas piadas forçadas, ou na estereotipagem de um personagem, vide Zohan.

Todo o elenco masculino já havia trabalhado com o diretor, seja em conjunto, em dupla, ou só. Assistí-los novamente em um único filme, já seria uma boa desculpa para levar a pirralhada ao cinema nas férias de verão. E a ideia deu certo. O filme foi um sucesso de bilheteria e foi uma das comédias mais rentáveis do seu ano nos EUA. Um elenco com rostos famosos, piadas fáceis, que não é preciso exercitar muito o cérebro pra entendê-las, clima feliz, reunião de amigos num feriado de 4 de Julho, enfim. Todos esses detalhes influenciam na hora de decidir com o grupo de amigos, qual filme irão assistir.

Amigos desde a infância, os rapazes, hoje, depois de 30 anos, casados e com filhos, se reencontram, no velório do antigo treinador de basquete. Afim de passarem mais alguns dias juntos, todas a famílias se instalam em uma casa no lago, para relembrar os velhos tempos. Seja propositalmente ou não, os personagens que formam o quinteto de amigos do filme, parecem se divertir mais que o próprio espectador, e tudo isso se deve a boa química entre eles, que não seria a mesma se fosse com atores diferente. O que torna o filme não apenas uma encenação entre amigos fictícios, mas amigos, sobretudo, reais. o relacionamento interpessoal dos personagens (os quais na verdade são os próprios atores, apenas sendo chamados por nomes fictícios) ofusca grande parte dos defeitos do filme.

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O que não vão faltar, é piadas toscas, gags físicas, personagens loucos, forçados e clichês, tombos, e qualquer desculpa pra fazer piada com absolutamente tudo, o que pode acabar incomodando os mais mau humorados, que não suporta esse tipo de piada. Talvez o ponto forte do filme, seja a beleza da amizade, da união, da saudade e da época tão maravilhosa que é a infância. Como na cena em que o personagem de Adam Sandler vê as crianças brincando de telefone sem fio. Seus filhos que outrora viviam aprisionados no mundo digital e tecnológico, com celulares e video games, puderam viver um final de semana, como qualquer criança normal vive. Brincando no lago, no balanço de uma árvore, com brinquedos caseiros, reunião em volta da fogueira, enfim.

É aquele típico filme que tem tudo pra se tornar um forte candidato à Sessão da Tarde. Tem uma mensagem significativa, que mostra o valor da união familiar, o valor da amizade, e a importância da infância na vida de qualquer criança. Sem lá muita profundidade, ou genialidade, o filme cumpre com o objetivo, que é divertir, mesmo que algumas piadas extrapolem, mas devemos levar em consideração que, quando amigos de infância se reúnem novamente, acaba rolando todo tipo de piada, sendo ela besta, forçada, sem graça, divertida, engraçada, piadas físicas, piadas humilhantes, piadas afim de caçoar do outro, tudo isso. É uma boa pedida pra quem quer se reunir com os amigos e assistir a um filme descompromissadamente.

NOTA::.. 6/10

Critíca

Potiche: A Esposa Troféu (2010), de François Ozon


O francês que é muito popular por aqui passou algumas semanas no Festival de Cannes com seu novo filme que, não vai demorar muito pra chegar por aqui, uma vez que o diretor é como eu disse, muito popular, ano após ano os filmes do diretor transita entre as telas grandes, cá entre nós Ozon é de fato, um diretor interessante, contudo, nem de longe o melhor ou de mais prestígio do seu país, como as distribuidoras nacionais costumam vender o cineasta, o circuito erroneamente quase que legitima Ozon como um representante oficial do cinema francês contemporâneo, só para ficar bem claro, ele não é tudo isso. Claro que, isso não aconteceu de uma hora para outra, Ozon sempre foi um diretor muito irregular, aquele diretor que penou muito para entrar para os grandes nomes nos festivais, até que ele conseguiu e junto isso um certo patamar, ao menos para as distribuidoras brasileiras, deixando isso de lado, falemos do filme em questão.

O ano é 1977, lá Robert é um homem muito chato que só pensa nos negócios e não se relaciona bem com ninguém, nem com seus funcionários, filhos e esposa, até que depois de uma greve na fábrica, ele quase infarta, sua mulher, Suzanne, assume o comando da empresa, se mostrando uma mulher com capacidade para administrar a fábrica melhor do que seu marido fazia, tudo se desenvolve através desse pano de fundo, conflitos familiares, conflitos políticos, algumas piadas insanas e vários momentos engraçados.

Como em quase todos os seus outros filmes, Ozon está sempre oscilando entre a comédia e o drama, assim tratando os personagens como bonecos de ventríloquo, assim como em quase todos os outros filmes, as mulheres são o ponto forte, aqui o cineasta coloca isso em maior evidência,  a esposa troféu do título é a melhor elaborada, embora todas as personagens sejam boas, por conta de um elenco afiado, para quem acompanha Deneuve e Depardieu se deliciam com seus personagens cômicos.

O filme mescla um pouco de tudo comédia e melodrama, família e politica, homens e mulheres e isso não é ruim, longe disso, Ozon prefere trilhar um caminho mais conservador, talvez por ser uma comédia, seu final é clichê, mesmo com um elenco afiado, algumas piadas que couberam perfeitamente, a sensação que tenho é que Ozon não foi tão longe quanto seu filme poderia ter ido, ainda assim, mérito dele de criar uma atmosfera deliciosa, que remete diretamente as comédias televisivas, ou como alguns conhecem, os ditos sitcoms, bom filme que não vai tão longe como poderia.

Nota .:: 7.5
Potiche: A Esposa Troféu (2010), de François Ozon
Elenco .:: Catherine Deneuve, Fabrice Luchini, Sergi Lopez, Jérémie Renier, Karin Viard

 

Critíca

Delta (2008), de Kornél Mundruczó

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O cinema autoral ganhou forma faz muitos anos, essa forma é muito simples, uma história para fácil compreensão do público (não uma bobagem, que fique claro), longos planos com uma câmera parada, poucos diálogos ou quase nenhum, os filmes autorais preferem falar com olhares e claro, cheio de imagens que podemos chamar de lindas – esses são os passos para um filme autoral ser consagrado, foi esse o caminho que Delta, de Kornél Mundruczó traçou, ele que está atualmente na competição da 70ª edição do festival de cannes, em seu primeiro filme, foi com essa trajetória que o diretor conseguiu emplacar todos os seus filmes no maior festival de cinema do mundo, alias, essa é a melhor forma para conquistar qualquer curador, é lógico que o cinema de autor hoje já não tem mais a mesma força ou impacto de alguns dos maiores diretores, ainda assim, alguns nos deixam maravilhados, infelizmente, esse não foi o caso aqui.

O primeiro filme de Mundruczó fala de Mihail, um homem que retorna à sua terra natal, Delta do Rio Danúbio, após anos afastado lá ele encontra Fauna, caçula da mãe do mesmo, cuja existência ele desconhecia, ela muda-se para a cabana onde ele está vivendo, em meio à paisagem de vegetação densa e labirintos de riachos com pequenas ilhas. Os dois constroem uma casa sobre palafitas no meio do rio e quando a casa fica pronta, chamam os moradores locais para um jantar, à comunidade da qual se isolaram, os irmãos sentem a profunda reprovação social de seu relacionamento “não-natural”.

O tratamento de uma tema como o incesto, nunca foi de fácil digestão, Mundruczó criou um protagonista que fala pouco, quase nada e não sabemos como definir, se o protagonista fala pouco, os diálogos quase não existem, somos jogados para grandes paisagens de um rio, é como se o diretor colocasse a câmera em um barco, saiu filmando, quando não isso, os planos do diretor estão muitos distantes dos atores, assim não conseguimos sentir o filme, como é o caso da cena do estupro, longo e longe demais, as músicas escolhidas para o filme são insanas ou indigesta, no final do filme, mais impasses, fotografias escura o suficiente para que não vejamos nada, é assim que termina o filme, com uma sensação de que nada foi dito ou contado.

Nota .:: 3.0
Delta (2008), de Kornél Mundruczó
Elenco – Félix Lajkó, Lili Monori, Orsolya Tóth, Sándor Gáspár

Critíca

Encurralado (Steven Spielberg, 1971)

Filme de estréia de um dos grandes diretores americanos vivos hoje, ‘Encurralado’ tem muito do que Steven Spielberg traria às telas ao longo de sua carreira. Um pequena pérola que precisa ser redescoberta.

Quem nunca ficou preso ou bloqueado na estrada por um caminhão, ônibus ou algum veículo de grande porte? O que temos aqui é apenas um filmes de enredo simples sobre a viagem de um homem comum que tenta ultrapassar um enorme caminhão inflamável em uma rodovia estadual. O enorme diferencial é que Encurralado apresentou ao mundo um jovem diretor fantástico cheio de ideias e conhecimento técnico sedento para testá-las na tela. Estilo, técnica, criatividade e aspectos inovadores podem ser grandes aliados na construção de filmes de premissa simplória, onde Encurralado se encaixa perfeitamente.

Tudo muito tranquilo e normal, uma ultrapassagem segura aqui e outra ali, até percebermos que caminhoneiro quer ver o indefeso motorista morto. Um jogo de gato e rato se inicia, o motorista precisa chegar a tempo em uma reunião de negócios mas não pode ultrapassar o assustador caminhão (que claro, com muito mais potência) alcançaria sua traseira. Mas também não pode deixar o caminhão passar a frente, já que este propositalmente diminuía a velocidade, atrasando o motorista. É uma tensão dos infernos. Estradas estreitas em montanhas e penhascos tornavam a corrida ainda mais assustadora.

Se o caminhoneiro quer brincar, se quer se vingar, ou se não tem nada pra fazer na estrada e decide apavorar os viajantes, não1264205521433_fsabemos. Spielberg iniciou uma de suas grandes e mais eficientes marcas aqui, que posteriormente usaria de forma constante. Ele evita o motorista do caminhão completamente. Nunca o mostra para o espectador (claro que a ideia não veio dele,Hitchcock já usou essa técnica). O tubarão não é mostrado logo quando entra em cena. Para mostrar os dinossauros Spielberg prepara uma das cenas ícones de Jurassic Park (eles só aparecem por completo quase na metade da projeção). O E.T., as naves de Contatos Imediatos de Terceiro Grau, enfim. Spielberg gosta de deixar o público curioso, e ativamente imaginativo. Além disso, a técnica se torna aliada da proposta do filme, em Encurralado, só aumenta a tensão e o mistério envolto à obra. Aquela desesperadora perseguição fica muito mais intrigante.

Numa das melhores passagens do filme, o personagem estaciona numa lanchonete, onde encontra possíveis suspeitos de serem o caminhoneiro. Pode ser qualquer um, já que o caminhão também estacionou ali. Spielberg transmite pura genialidade ao nos mostrar os pensamentos do motorista. Ouvimos Mann falando sozinho, mas não de forma consciente. Confuso, desesperado, tramando um modo de se ver livre do caminhoneiro. Neste momento estamos maquinando uma ideia junto dele. Encurralado também aponta o início da parceria entre Spielberg e a Trilha Sonora, que sempre foi sua aliada. Na música de Billy Goldenberg (pouco conhecido compositor para filmes para tv) há resquícios de Psicose (até achei que fosse o mesmo compositor), que aumentam a tensão e elevam as cenas num patamar sufocante e desesperador. E mais tarde, seu grande colaborador John Williams faria o mesmo com as grandes trilhas que engrandeciam momentos chaves do cinema de Spielberg.

Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme feito pra TV, Encurralado, com sua estrutura televisiva inegável, permanece com uma estréia em grande estilo. Enfim, Spielberg foi descoberto.

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Nota 8,0

Critíca

Nocturama (2016), de Bertrand Bonello

https://media.outnow.ch/Movies/Bilder/2016/Nocturama/Para começar os trabalhos de cinéfilo, vamos para a Europa e falar de um assunto que está em alta, os ataques terroristas que anda acontecendo por lá, colocar em pauta um assunto como o tratado aqui das duas uma, ou seria uma catástrofe ou seria uma colocação interessante dos fatos, afinal de contas, nos últimos dias mais do que nunca a França sofre por todos os lados ataques terroristas, no filme estamos na Europa contemporânea, profundamente atingida por conta da crise econômica iniciada em 2008, e as ações desses garotos e garotas estão conectadas a esse contexto, eles estão próximos de praticar atos terroristas em lugares simbólicos do país, tudo para chamar atenção, causar tumulto e principalmente para causar uma discussão, afinal de contas, ninguém faria isso sem qualquer motivação.

O diretor – na qual eu não sou muito familiar, esse é apenas a segunda experiência que tive com o diretor – não precisou ou se preocupou em analisar a ideologia dos personagens, na primeira parte o diretor constrói todo um plano para deixar o clima tenso, através de idas e vindas no tempo, da apresentação de um mesmo episódio por diferentes pontos de vista, assim entregando ao espectador as minúcias do plano que está sendo executado, consequentemente muita tensão, já sabemos o que está próximo, contudo, sem a mesma proporção do que realmente vai acontecer.

O segundo parte foca totalmente nas consequências, passado quase todo em uma loja de departamentos onde a garotada se esconde, após o sucesso dos atentados, o diretor nos permite se aproximar mais dessas figuras, só que não o suficiente, o grande e maior problema do filme é sua longa duração, o diretor insiste em focar principalmente o tédio experimentado por jovens que têm de passar uma noite inteira acordados e escondidos num ambiente fechado, é ai que surge a contradição entre os ataques realizados contra símbolos do capital e do poder e o esbaldar-se no consumo dentro da loja, mas ela é desconstruída pelo elemento de brincadeira presente nessa exploração de objetos, roupas, eletrônicos – fato é que, o que mais poderíamos esperar de um grupo de adolescentes com alguma ideologia e pouca (ou quase nenhuma) maturidade.

O final foi filmado como um grande filme de horror, não existe chance para os garotos, o que acontece ali é um massacre por conta dos atos anteriores, o filme de Bonello é longo demais que, ficamos cansados e os personagens se tornam desinteressantes no decorrer dos fatos, ainda que o diretor fuja do didatismo, do planfletarismo, ele se prejudica por conta da longa duração, se fosse mais curto e enxuto talvez funcionasse melhor.

Nota .:: 6.0
Nocturama (2016), de Bertrand Bonello
Elenco – Finnegan Oldfield, Manal Issa, Vincent Rottiers, Martin Petit-Guyot, Jamil McGraven,