Comédias, Critíca

Gente Grande (Dennis Dugan, 2010)

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Seria um pouco melhor se fosse levado mais a sério. No mais, é um filme divertidíssimo, daquele pra se ver com todos os amigos reunidos.

Reunindo não apenas amigos fictícios, o novo filme de Dennis Dugan, reúne também amigos na vida real. Embalados pelo sucesso de Eu os Declaro Marido e… Larry!, e o terrível Zohan – O Agente Bom de Corte, Kevin James, Adam Sandler, Rob Schneider e Chris Rock se juntam novamente, num filme que mais parece uma comédia coletiva. e desta vez o diretor recebe novamente a ajuda de Adam Sandler na realização do roteiro. Sendo assim, o espectador deve ficar ciente de que não irá encontrar nenhuma genialidade nas piadas e até mesmo na história em si. O fato é que, os filmes de Dennis Dugan sempre apresentam as mesmas fórmulas, seja nas piadas forçadas, ou na estereotipagem de um personagem, vide Zohan.

Todo o elenco masculino já havia trabalhado com o diretor, seja em conjunto, em dupla, ou só. Assistí-los novamente em um único filme, já seria uma boa desculpa para levar a pirralhada ao cinema nas férias de verão. E a ideia deu certo. O filme foi um sucesso de bilheteria e foi uma das comédias mais rentáveis do seu ano nos EUA. Um elenco com rostos famosos, piadas fáceis, que não é preciso exercitar muito o cérebro pra entendê-las, clima feliz, reunião de amigos num feriado de 4 de Julho, enfim. Todos esses detalhes influenciam na hora de decidir com o grupo de amigos, qual filme irão assistir.

Amigos desde a infância, os rapazes, hoje, depois de 30 anos, casados e com filhos, se reencontram, no velório do antigo treinador de basquete. Afim de passarem mais alguns dias juntos, todas a famílias se instalam em uma casa no lago, para relembrar os velhos tempos. Seja propositalmente ou não, os personagens que formam o quinteto de amigos do filme, parecem se divertir mais que o próprio espectador, e tudo isso se deve a boa química entre eles, que não seria a mesma se fosse com atores diferente. O que torna o filme não apenas uma encenação entre amigos fictícios, mas amigos, sobretudo, reais. o relacionamento interpessoal dos personagens (os quais na verdade são os próprios atores, apenas sendo chamados por nomes fictícios) ofusca grande parte dos defeitos do filme.

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O que não vão faltar, é piadas toscas, gags físicas, personagens loucos, forçados e clichês, tombos, e qualquer desculpa pra fazer piada com absolutamente tudo, o que pode acabar incomodando os mais mau humorados, que não suporta esse tipo de piada. Talvez o ponto forte do filme, seja a beleza da amizade, da união, da saudade e da época tão maravilhosa que é a infância. Como na cena em que o personagem de Adam Sandler vê as crianças brincando de telefone sem fio. Seus filhos que outrora viviam aprisionados no mundo digital e tecnológico, com celulares e video games, puderam viver um final de semana, como qualquer criança normal vive. Brincando no lago, no balanço de uma árvore, com brinquedos caseiros, reunião em volta da fogueira, enfim.

É aquele típico filme que tem tudo pra se tornar um forte candidato à Sessão da Tarde. Tem uma mensagem significativa, que mostra o valor da união familiar, o valor da amizade, e a importância da infância na vida de qualquer criança. Sem lá muita profundidade, ou genialidade, o filme cumpre com o objetivo, que é divertir, mesmo que algumas piadas extrapolem, mas devemos levar em consideração que, quando amigos de infância se reúnem novamente, acaba rolando todo tipo de piada, sendo ela besta, forçada, sem graça, divertida, engraçada, piadas físicas, piadas humilhantes, piadas afim de caçoar do outro, tudo isso. É uma boa pedida pra quem quer se reunir com os amigos e assistir a um filme descompromissadamente.

NOTA::.. 6/10

Critíca

Encurralado (Steven Spielberg, 1971)

Filme de estréia de um dos grandes diretores americanos vivos hoje, ‘Encurralado’ tem muito do que Steven Spielberg traria às telas ao longo de sua carreira. Um pequena pérola que precisa ser redescoberta.

Quem nunca ficou preso ou bloqueado na estrada por um caminhão, ônibus ou algum veículo de grande porte? O que temos aqui é apenas um filmes de enredo simples sobre a viagem de um homem comum que tenta ultrapassar um enorme caminhão inflamável em uma rodovia estadual. O enorme diferencial é que Encurralado apresentou ao mundo um jovem diretor fantástico cheio de ideias e conhecimento técnico sedento para testá-las na tela. Estilo, técnica, criatividade e aspectos inovadores podem ser grandes aliados na construção de filmes de premissa simplória, onde Encurralado se encaixa perfeitamente.

Tudo muito tranquilo e normal, uma ultrapassagem segura aqui e outra ali, até percebermos que caminhoneiro quer ver o indefeso motorista morto. Um jogo de gato e rato se inicia, o motorista precisa chegar a tempo em uma reunião de negócios mas não pode ultrapassar o assustador caminhão (que claro, com muito mais potência) alcançaria sua traseira. Mas também não pode deixar o caminhão passar a frente, já que este propositalmente diminuía a velocidade, atrasando o motorista. É uma tensão dos infernos. Estradas estreitas em montanhas e penhascos tornavam a corrida ainda mais assustadora.

Se o caminhoneiro quer brincar, se quer se vingar, ou se não tem nada pra fazer na estrada e decide apavorar os viajantes, não1264205521433_fsabemos. Spielberg iniciou uma de suas grandes e mais eficientes marcas aqui, que posteriormente usaria de forma constante. Ele evita o motorista do caminhão completamente. Nunca o mostra para o espectador (claro que a ideia não veio dele,Hitchcock já usou essa técnica). O tubarão não é mostrado logo quando entra em cena. Para mostrar os dinossauros Spielberg prepara uma das cenas ícones de Jurassic Park (eles só aparecem por completo quase na metade da projeção). O E.T., as naves de Contatos Imediatos de Terceiro Grau, enfim. Spielberg gosta de deixar o público curioso, e ativamente imaginativo. Além disso, a técnica se torna aliada da proposta do filme, em Encurralado, só aumenta a tensão e o mistério envolto à obra. Aquela desesperadora perseguição fica muito mais intrigante.

Numa das melhores passagens do filme, o personagem estaciona numa lanchonete, onde encontra possíveis suspeitos de serem o caminhoneiro. Pode ser qualquer um, já que o caminhão também estacionou ali. Spielberg transmite pura genialidade ao nos mostrar os pensamentos do motorista. Ouvimos Mann falando sozinho, mas não de forma consciente. Confuso, desesperado, tramando um modo de se ver livre do caminhoneiro. Neste momento estamos maquinando uma ideia junto dele. Encurralado também aponta o início da parceria entre Spielberg e a Trilha Sonora, que sempre foi sua aliada. Na música de Billy Goldenberg (pouco conhecido compositor para filmes para tv) há resquícios de Psicose (até achei que fosse o mesmo compositor), que aumentam a tensão e elevam as cenas num patamar sufocante e desesperador. E mais tarde, seu grande colaborador John Williams faria o mesmo com as grandes trilhas que engrandeciam momentos chaves do cinema de Spielberg.

Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme feito pra TV, Encurralado, com sua estrutura televisiva inegável, permanece com uma estréia em grande estilo. Enfim, Spielberg foi descoberto.

Duel

Nota 8,0

Notas

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